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A AUSTERIDADE CURA? A AUSTERIDADE MATA?

Autores: Coordenação de Eduardo Paz Ferreira
Local de Edição: Lisboa
Editor: AAFDL
EAN 5606939007636
Editado em: Fevereiro - 2014
1482 págs.
Edição: 2.ª
1,62Kg
€ 25,00 € 22,50

É para mim uma grande honra ter coordenado este conjunto de depoimentos em que pessoas de diferentes gerações e formações e posicionamentos ideológicos muito diversos se pronunciam sobre os efeitos da austeridade, respondendo à questão que lhes foi colocada de saber se a austeridade cura ou se a austeridade mata.

No momento que o livro sai e após vários anos de austeridade com resultados insatisfatórios no plano económico, decepcionantes no domínio das finanças públicas e trágicos na área social, não admira que a grande maioria dos textos exprima, em diferentes tons, um sentimento comum anti-austeridade que, porventura, se não expressaria de forma tão nítida dois ou três anos antes, quando os países do Norte da Europa e, particularmente a Alemanha, conseguiram transformar a austeridade num credo e numa questão moral e os países do Sul se inclinaram com um pesado sentimento de culpa.

Pela minha parte, é conhecida a oposição que manifestei, desde o início, às políticas de austeridade.

Pareceria que a erosão das bases científicas da austeridade, a par com a ausência de resultados palpáveis deveria ter levado a uma inversão de rumo, mas como têm notado autores como Mark Blyth ou Paul Krugman a austeridade é uma "ideia zoombie" ou uma "ideia barata", que volta sempre, quando se julga que está morta.

A crítica aos termos em que as políticas de austeridade têm sido concebidas e aplicáveis, não implica necessariamente a condenação de qualquer esforço de contenção ou de racionalização ou a necessidade de equilíbrio na gestão dos dinheiros públicos. Trata-se, apenas, de chamar a atenção para os excessos que a actual política pode ter, condenando uma geração à penúria, quebrando a coesão social, a confiança na democracia e minando os alicerces do futuro.

Na literatura mais recente sobre a austeridade, todos estes aspectos têm sido especialmente levados em conta, assim como aqueles que se prendem com os efeitos da austeridade na saúde, que se apresentam como devastadores na opinião dos especialistas.

In introdução
Eduardo Paz Ferreira*

____________________

* Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Presidente do IDEFF, Presidente do Instituto Europeu e Coordenador do Centro de Investigação de Direito Europeu, Económico, Financeiro e Fiscal.

 

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