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A COOPERAÇÃO UNIVERSIDADE-INDÚSTRIA E A INOVAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA O CASO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Autores: João Paulo Marques
Local de Edição: Coimbra
Editor: Almedina
ISBN 972-40-1157-7
Editado em: 1998
218 págs.
Não disponível

PREFÁCIO
O aparecimento deste livro é de saudar por duas ordens de razões.
Em primeiro lugar, porque o assunto que aborda é de uma grande actualidade e importância em termos de funcionamento do sistema de ciência e tecnologia em Portugal. Na realidade, o domínio das interacções universidade-indústria assume no nosso país contornos específicos, que precisam ser bem compreendidos. Mais, a proliferação de instituições privadas sem fins lucrativos (IPsFL) a que se assiste desde que se intensificou a participação em programas europeus, indicia a necessidade de nos debruçarmos sobre a sua prática, os seus sucessos, os seus constrangimentos. O estudo que nas páginas que se seguem é apresentado, usando como exemplo a actividade que envolve a Universidade de Coimbra é, por isso mesmo, de enorme interesse.
Em segundo lugar, porque este é um livro que decorre de uma dissertação de mestrado empreendida no âmbito da actividade académica de pós-graduação em Portugal. Está por este motivo de parabéns o Instituto Superior de Economia a Gestão, o ISEG, da Universidade Técnica de Lisboa e todo o estabelecimento universitário português, pela demonstração da centralidade, para o avanço dos conhecimentos sobre a sociedade contemporânea, bem como para o equacionamento dos problemas reais, do tratamento e reflexão aprofundados das questões sociais em centros de investigação nas universidades. Basta atentarmos no leque de questões com que o autor nos deixa, no final do seu texto, para verificarmos a pertinência da continuação desta análise em boa hora iniciada.
João Paulo Marques é um investigador e um docente empenhado e proficiente. O modo como enquadrou o objecto deste livro e como gerou a classificação institucional que propõe, abre caminhos férteis para melhor sabermos como são e o que fazem as IPsFL nos tempos que vão decorrendo. Deixem-me dar-lhe igualmente os parabéns por este bem acabado produto da sua coragem e da sua determinação.
De facto, a ciência deixou definitivamente o isolamento relativo em que viveu nos seus laboratórios, nas suas academias e nas universidades quando, durante a segunda guerra mundial, foi chamada a desenvolver tecnologias com aplicação militar directa e imediata. O esforço de ordenamento do pós-guerra impulsionou os orçamentos nacionais para investigação científica e tecnológica para valores nunca antes atingidos. Com o aparecimento dos primeiros satélites artificiais, nos finais dos anos 50, o carácter público da ciência e tecnologia foi plenamente assumido.
Sem dúvida que a partir da década de 1970 se avolumou a necessidade de olhar a ciência e tecnologia como uma fonte e um instrumento de resolução de problemas do desenvolvimento económico e social. Os "choques do petróleo" e a experiência traumática das sequelas da guerra do Vietname, bem como o ambiente de "guerra fria", tomaram aconselháveis a viabilização e o estímulo das actividades visando a tecnologia e a inovação,
A intensificação dos fenómenos de globalização da economia, da ciência e da tecnologia, foi uma constante dos anos 80 e da década que agora se termina. A relação entre as universidades e as empresas transformou-se definitivamente. Mas a sociedade da informação pode ser uma sociedade terrível, uma sociedades onde quem não sabe ou, pior, quem não é visível, não existe. Uma sociedade onde ao lado dos grandes negócios financeiros, de grande valor acrescentado, se deixa pulular uma população marginalizada que acolhe o emprego de baixa qualificação, mas que "serve" e suporta as famílias e as vedetas que apropriam os vectores de criação da nova riqueza.
É por isso que, se não conseguirmos fabricar ideias e coisas que interessem aos outros, não existiremos. Ninguém nos virá procurar, ninguém nos usará como interlocutores válidos; perderemos mais cedo ou mais tarde a nossa expressão como colectivo e, eventualmente, a nossa língua (que só perdurará, nessas condições, como afirmação de uma contra-cultura).
Não é, pois, apenas por interesse académico que nos devemos preocupar com a inovação e com as universidades, com o contexto em que se desenvolvem os seus processos, com a maneira como são geridas, com o impacto moral e social da sua operação hoje e no futuro. Mas sim porque só colectivamente se poderá encontrar a resposta adequada, o bom conselho que nos trará sossego. O futuro não está escrito; e, por isso, devemos analisar, discutir, trabalhar, para que ele derive das nossas aspirações, dos nossos valores, das nossas convicções.
É um contributo para um passo nesse sentido que se descobre nas páginas que se seguem.

JOÃO CARAÇA*
Junho de 1998

 

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